“O FOGO ME QUEIMOU, MAS ME AQUECEU”
A ECLOSÃO DE UMA CRISE COMO MOMENTO DE SUSPENSÃO DA COTIDIANIDADE E DE POSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DE SUAS PRÓPRIAS CAUSAS
Palavras-chave:
Crises., Cotidiano., Momentos de suspensão da cotidianidade.Resumo
Este artigo discorre a respeito da eclosão de uma crise enquanto momento de suspensão da cotidianidade, contribuindo para a compreensão e superação de suas próprias causas. Para tal, inicialmente, aborda o conceito de cotidiano a partir da perspectiva dos filósofos húngaros Lukács e Agnes Heller. O cotidiano, como espaço ineliminável e insuprimível, é parte constitutiva – e central – do acontecer histórico, porquanto é na vida cotidiana que ocorre a reprodução social. Apresentam-se as determinações fundamentais da cotidianidade, a saber: a heterogeneidade, a imediaticidade, a superficialidade extensiva, a espontaneidade, a ultrageneralização, a analogia, o uso de precedentes e a imitação. O cotidiano é, então, entendido como o espaço das respostas imediatas, da não reflexão e da acriticidade. Considerando tal entendimento, procede-se à análise da eclosão de uma crise como um momento de suspensão da cotidianidade, ressaltando-se que, após tais momentos, o indivíduo enquanto tal comporta-se cotidianamente com mais eficácia. O retorno à cotidianidade após uma suspensão supõe a alternativa de um indivíduo mais refinado e educado. A vida cotidiana permanece ineliminável e inultrapassável, mas o sujeito que a ela regressa está modificado. Ao final do estudo, a partir dos referenciais teóricos adotados, considera-se que a eclosão de uma crise como um momento que rompe, temporariamente, com as determinações da vida cotidiana, pode conter potência de reflexão e, possivelmente, compreensão e superação das causas da crise.
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