TEOLOGIA, CRISE EXISTENCIAL E PASTOREIO
Theology, existential crisis and grazing
Dr. Reinaldo Arruda Pereira1
RESUMO
A teologia, sendo uma ciência e uma reflexão teórico-prática, que estuda a fé em Deus à luz da Escrituras Sagradas, quer sim, quer não, está envolvida com tudo aquilo que é pertinente aos seres humanos. E o que vem caracterizando os seres humanos, especialmente aqueles que vivem nos diferentes países da América do Sul, é a crise existencial. É desse contexto e dessa situação que precisamos encontrar forças e resistência para ressignificar a teologia e o pastoreio, ampliando seu lugar na sociedade. Uma teologia, uma igreja e um pastoreio que somente suavizam as consequências e os resultados nocivos da crise, não têm mais sentido. Daí a importância de que a teologia, a igreja e o pastoreio, juntos, encontrem respaldo na Bíblia para continuar existindo e, a partir disso, pensar, orar, engajar e agir para a transformação de todo ser humano e do ser humano todo. Por desejarem ocupar um lugar diferenciado na ambiência social e manter uma interface com a contemporaneidade, a teologia e o pastoreio precisam ampliar sua sensibilidade, diálogo e cuidado com a vida humana, consolidar sua integridade e atuar com fidelidade à Palavra de Deus. É assim que a teologia e pastorado serão confirmados como necessários e relevantes pela comunidade de fé e sociedade.
Palavras-chaves: Teologia. Crise. Devoção. Pastoreio. Neopragmático. Esperança.
ABSTRACT
Theology as being a science and a theoretical-practical reflexion, that studies the faith in God through the light of the Holy Scriptures, one way or the other, is involved with all that is pertinent to the human beings. And what has been characterizing the human beings, specially, those that live in different countries of South America, is the existencial crisis. It is from this context and this situation that we need to find forces and resistance to give a new significance to Theology and grazing, amplifying its place in society. One Theology, one church and one grazing that only soften the harmful consequences and results of the crisis, don’t have meaning anymore. For this reason, the importance that the Theology, the church and the grazing, together, find support in the Bible to keep on existing, and from this, thought, prayer, engage and acting to transformation of the whole human being and the human being as a whole. For desiring to occupy a differential place in social ambience and keep the interface with contemporaneity, Theology and grazing need to amplify its sensibility, dialogue and caring with the human life, consolidate its integrity and act with fidelity to the word of God. It is like this, that Theology and grazing will be confirmed as necessary and relevant to the community of faith and society.
Keywords: Theology. Crisis. Devotion. Grazing. Neopragmatic. Hope.
Introdução
“Deus é o silêncio do universo, e o homem o grito que dá sentido a esse silêncio” (José Saramago).
Teologia, crise existencial e pastoreio é um assunto contemporâneo, atual, que desafia a reflexão e fazem parte da vida humana e da sociedade. Mas, o que é central nas sociedades – e mais acentuadamente no Brasil – é a crise existencial. A teologia quase sempre ficou em plano secundário na sociedade, restringindo-se a algumas pessoas e circunscrita ao ambiente acadêmico. A teologia, hoje, está rompendo com o ocultamento que lhe era pertinente, alcançando maior espaço no cenário público devido ao seu reconhecimento como Bacharelado e Curso Superior.
A teologia fez parte da sociedade, mas sua presença, pode-se dizer, foi “tímida e acanhada” e, na maioria das vezes, distante e despreocupada com a vida, o ser humano, a sociedade e os dramas que enfrentam. A crise existencial, por ser algo inerente à vida e à fragilidade humana, fez e ainda se faz presente na história da humanidade e da sociedade. Com este reconhecimento, é tempo oportuno para que o pastoreio assuma não só a teologia, mas também a crise existencial como uma importante tarefa.
Tendo em vista esta condição, a abordagem deste texto está centrada em duas ideias. A primeira é a necessidade de uma aproximação conceitual, discursiva, teórico-prática e vivencial entre teologia e crise existencial. A segunda é que vivemos uma crise existencial, que é, ao mesmo tempo, civilizatória, humanitária, política, ética e religiosa, e que deve ser objeto de reflexão e ação da teologia e do pastoreio.
Com esta ênfase bem definida, no presente artigo faz-se uma abordagem teórico-conceitual, mas sem se descuidar das práticas e das vivências que ocorrem na teologia, no pastoreio e na ambiência social contemporânea. Com este desafio, busca-se entrelaçar o título deste texto à ideia de que a teologia deve ocupar um lugar preferencial no pastoreio e na sociedade. Em seguida, discute-se a presença e recorrência da crise, a qual, nos últimos tempos, “sem medo e sem dó”, vem atingido fortemente a igreja e o pastoreio.
Com a ideia de contextualizar, aproximar, situar e interligar o que se discutiu a respeito da teologia e do pastoreio, mais especificamente na última parte do artigo, apresenta-se uma discussão sobre o pastoreio e sua interface com a contemporaneidade.
1. A teologia e seu lugar no pastoreio e na sociedade
Ao pensarmos em teologia2, tanto na “palavra-conceito”3, quanto no “conceito-palavra”, vem em nosso pensamento uma premissa fundamental: a teologia é uma ciência, mas não uma ciência do tipo e do caráter das ciências naturais ou exatas. Diferentemente disso, a teologia é a ciência que busca estudar o objeto da fé, que é o ser divino, e sua relação com as coisas criadas a partir da Bíblia e da teologia, já que esta pressupõe aquela. Por isso, Gibelline4 caracteriza a teologia como “o pensamento e inteligência da fé”.
A teologia é também um conhecimento e uma experiência pessoal com Deus e a respeito de Deus, o que envolve o pastoreio e uma piedade prática, que é tanto contemplativa, quanto ética e atitudinal. “Antes de tudo, a teologia trata do conhecimento – conhecimento de Deus e de nós próprios-, mas não existe verdadeiro conhecimento onde não existe verdadeira piedade”.5
A teologia, nesse sentido, deve culminar no encontro piedoso com Deus, no cuidado do outro, na vivência da paz e, por estas vias, na pacificação do ser humano e da sociedade. A teologia, responsavelmente, precisa responder pela mudança eclesial, relacional, política e social. A teologia, nessa perspectiva, ajuda teólogos, pessoas envolvidas com o pastoreio, comunidades e a própria sociedade a compreenderem sua situação no mundo, o que deve ser feito em diálogo e interlocução com outros saberes.
A premissa fundamental assinalada indica que a teologia e o pastoreio não são somente uma abstração ou um amontoado de saberes desinteressados da vida e distantes de tudo aquilo referente aos seres humanos. Indica também que teologia, como uma “palavra-conceito” e um “conceito-palavra”, é, de fato, o “locus theologicus” para qualquer hermenêutica, pastorado, e para qualquer teologia, conforme Moltmann6, com dimensão social, ética, ecológica e politicamente consciente.
É por isso que a teologia é um saber, uma reflexão, um conhecimento e uma experiência que não pode perder sua pertinência com Deus, o ser humano, o pastoreio, o cosmos e a sociedade, e tudo que a eles é pertinente. Ora, essa pertinência significa que o foco principal da teologia, hoje, é se tornar, cada vez mais, bíblica e cristocêntrica, o que aumenta sua ligação, conectividade e interfaces com o cosmos, sociedade, o ser humano, o pastoreio e o tempo presente. Sendo assim, seja pelo prisma da ciência, seja pelo da igreja, da experiência de fé e do pastoreio, não se faz teologia, “...sem pessoas concretas e sem um contexto de múltiplas relações”.7
Aqueles dois fundamentos – o bíblico e o cristológico – é que dão sustentação à teologia e ao pastoreio. São eles que permitem que a reflexão teológica seja eclesial, pública, cosmológica e ecocêntrica8 em seu alcance, natureza, missão e propósito, transformando-se num pensar e agir da igreja e do pastoreio. Mas, não é só isso. A teologia que é comprometida com fundamentos bíblicos e cristológicos, além de ser uma parceira da igreja, por sua dimensão pública, social, ecológica e espiritual, torna-se também uma parceira do pastoreio, da vida, do cosmos, do ser humano e da sociedade.
É esse compromisso fundacional que permite e corrobora para que a teologia e o pastoreio assumam o seu ponto de partida, alinhando-se com aquilo que Deus, a Realidade maior, já está realizando no mundo. Nesse sentido, a pergunta básica e central a ser feita não é se Deus existe ou não, mas como e onde Deus está.
O ponto de partida de qualquer teologia da igreja terá de ser, hoje, uma teologia da mudança social. A Igreja é, antes de mais nada, uma comunidade que responde, um povo cuja tarefa é a de discernir a ação de Deus no mundo e a de aliar-se à sua obra. A ação de Deus ocorre através daquilo que os teólogos chamam algumas vezes de “eventos históricos”, mas que poderia ser mais pertinentemente chamado de “mudança social”. (...) Isto significa que a Igreja deve responder constantemente à “mudança social.9
Em outras palavras, a teologia é para o pastorado e para a igreja, mas também para a sociedade, e principalmente, em favor do ser humano e da vida e de tudo aquilo que é ético, correto, justo e bom. Portanto, teologia não é apenas “coisa de igreja”, pastores e sacerdotes religiosos. A teologia é para a vida e a sociedade e serve à igreja e ao pastorado, mas não está restrita e privada à igreja, ao pastoreio e a uma comunidade de fé específica. É este foco que dá à Teologia um ponto de partida e que lhe garante um lugar na sociedade.
A teologia e o pastoreio, pela missão, propósito e dimensão religiosa, profética e “bíblica” que possuem, e que estão em processo de maturação, não podem se “privatizar” e/ou serem “privatizadas”. No contexto da modernidade, uma das instituições que mais sofreu o processo de privatização foi a religião, e por certo, a teologia está correndo um sério risco.
De fato, que fez a modernidade ao propor e realizar o “desencantamento do mundo”? De um lado, procurou controlar a religião, deslocando-a do espaço público (que ela ocupara durante toda a Idade Média) para o privado. [...] De outro, porém, tratou a religião como arcaísmo que seria vencido pela marcha da razão ou da ciência, desconsiderando, assim, as necessidades a que ela responde e os simbolismos que ela envolve.10
No que tange à privatização da religião, na ótica destacada por Chauí, há de se reconhecer que este processo privatizador concorre, na prática, para a privatização da religião, da igreja, do pastorado e da fé. Isso significa que não só a igreja e a religião, mas também a teologia e o pastoreio, mudaram sua face, diminuíram e perderam seu lugar na cidade, na sociedade, na universidade e, em grande parte, no espaço público.
Essa privatização não é só um processo de individualização da fé e da religião para o mundo privado do indivíduo. É também uma espécie de divórcio entre igreja, pastoreio e teologia e entre a teologia e a sociedade.
A religião passa para a esfera do privado. E com a religião, também a teologia. A teologia, que fora mãe das universidades, se vê fora delas. Mas, hoje os tempos parecem propícios para se retomar a aproximação. Acredito que não faltem motivos capazes de convencer a própria sociedade de que a teologia em “paradigmas de cidadania” seja útil e mesmo necessária.11
É nessa direção indicada que se deve pensar a teologia, a reflexão teológica e o pastoreio. Ou seja, essas três importantes instâncias não são e não podem ser só para a igreja, a confessionalidade e liderança eclesial, mas para toda a sociedade, já que possuem uma importante função política, ética, ecológica e sociocultural. A teologia é também para a sociedade.
Em outras palavras, a teologia existe para servir à igreja e ao pastorado e tem o dever de realizá-lo com zelo e excelência, no sentido de fundamentar e de sistematizar a fé experimentada e professada. A igreja, o pastoreio e a sociedade necessitam e carecem da teologia. Mas, precisam de uma teologia desprivatizada, que recorre tanto à esperança, quanto a uma dimensão bíblica da promessa, tal qual a que foi proposta por Moltmann:
Como efeito, aquilo que encontramos nos testamentos bíblicos como objeto da esperança é “o Outro”, algo que não podemos pensar nem imaginar a partir das experiências que já tivermos e da realidade da vida. Algo que, no entanto, nos é apresentado como promessa de algo “novo”, o objeto da esperança que está no futuro de Deus.12
Essa teologia, por usa vez, é pensada, gestada e produzida a partir da fé e da esperança em Deus e em Sua Palavra. A fé e a esperança são dinâmicas e dinamizam a vida, pois provêm de Deus. Juntas, a fé e a esperança são também críticas da sociedade e de toda e qualquer realidade, pois carrega um papel profético e um compromisso libertador. Mas, a crítica que se faz por meio da fé e da esperança é sempre acompanhada de amor, amizade, compaixão e fraternidade.
A teologia que é gestada e construída a partir da fé e da esperança, por se fundamentar na Palavra de Deus e no Cristo, o ressuscitado de Deus, como fundamento sólido, inegociável e intransponível da fé, se projeta ao futuro, sem deixar de ser enraizada nas promessas da Palavra de Deus. Essa teologia, por estar irrigada pela fé, esperança e promessas de Deus, se interessa pela igreja, o Corpo de Cristo, pelo pastoreio e se deixa sensibilizar pelas pessoas. Nessa perspectiva, a teologia, como afirma Magalhães13, não abre mão desta tarefa, pois conhece, reconhece e testemunha um Deus, Aquele revelado nas Escrituras, e que é voltado ao ser humano.
A teologia pode ser pensada também como uma reflexão, uma experiência e campo de conhecimento que trata e “estuda” uma Realidade maior do que o ser humano e a sociedade. Esta Realidade maior não pode se constituir apenas como uma ideia qualquer. Ao contrário, a Realidade maior, que é Deus, exige um pensamento que seja comprometido com a Bíblia, o pastoreio, mas também com uma inteligência e um pensamento sérios, consequentes e solidários com a vida e a sociedade. É esse tipo de pensamento e de reflexão que faz da teologia uma “Teologia Primeira”14.
A Realidade maior, cujo título mais comum é Deus, carrega uma pluralidade de significativos nomes: o Senhor proverá (Gn 22.14), o Senhor que cura (Êx 15.26), o Senhor é a paz (Jz 6.24), etc. Mas, o nome de Deus que mais se destaca, segundo Smith,15 mesmo na pluralidade, é Javé, o Incomparável.
O objeto da teologia é a fé em Deus, um ser poderoso e uma pessoa que se revela e busca relacionamento com o ser humano, sua criação máxima e mais especial. Um Deus abstrato, distante, ausente e que não se importa com a obra criada, não tem lugar na teologia e no pastoreio, muito menos na vida dos seres humanos. Nesse sentido, a teologia não tem um fim em si mesma. Ela é para homens e mulheres, para o pastoreio e, consequentemente, para a sociedade. É por isso que a teologia, especialmente aquela que é bíblica, não deve se esgotar no âmbito acadêmico e nem nas salas de aula.
A teologia é uma mediação que nos ajuda a compreender, a partir da fé em Deus e Sua Palavra, a vida, a obra criada, a liberdade e tudo aquilo que é próprio da existência humana e da sociedade. Como tal, a teologia também nos auxilia a entendermos o mundo, como ele funciona, e a encontrarmos na Bíblia e no próprio Deus um sentido divino-humano e humano-divino para todas as coisas. Esse sentido, em termos bíblico-teológicos, pode ser sintetizado no refrão do primeiro capítulo de Gênesis, o livro das origens: “E Deus viu que tudo era bom”.
É essa teologia, cujo nome pode ser “Teologia Primeira”, porque trata da Realidade maior, é bíblica e teológica, ajuda homens e mulheres a viverem num tempo, numa sociedade e em qualquer ambiência, com suas mudanças revolucionárias, rápidas e velozes. Neste contexto e sobre a teologia, é significativa a visão teológica e orientação programática de Cox:
Todos estamos tentando viver numa era de mudanças aceleradas como uma teologia estática. (...) estamos tentando viver num período de revolução sem uma teologia da revolução. O desenvolvimento de tal teologia devia ser o primeiro item da agenda teológica de hoje.16
A teologia que não dialoga com a ambiência social e nem mantém conectividade com a cidade e os seres humanos para conhecê-los e saber de seus dramas e pesares, não tem lugar e nem espaço no pastoreio. Consequentemente, não terá também na sociedade. Conhecer o que é vivido pelo ser humano e pelos atores sociais não significa que a teologia abrirá mão de seu principal papel, que é o de entender à luz da Bíblia o que se está passando com o ser humano e refletir crítica e criativamente sobre isso.
Assim, não é tarefa da teologia, e neste caso, nem do pastoreio e nem da religião, implícita e explicitamente bíblico-cristãs, responder preferencialmente aos desejos e aspirações dos indivíduos, o que nos últimos tempos já vem acontecendo, segundo Libanio17, com a religião. A teologia, na perspectiva assinalada, tem a ver com a finalidade da vida e com tudo que acontece na sociedade. Logo, a teologia não pode ser passiva, conformista e nem subserviente, a quem quer que seja.
Diferentemente, a teologia é inquieta e inquietante. Nessa perspectiva, a teologia, seja a acadêmica, seja a eclesial e a pastoral, deveria ser assim: inquieta e inquietante, germinada da fé em Deus e em Sua Palavra, e brotada da práxis e para a práxis eclesial, pastoral, denominacional e social.
A teologia que é, ao mesmo tempo, inquieta e inquietante, é nascida e construída em meios às crises, dramas e lutas enfrentadas por seres humanos e pela sociedade. Essa teologia é desassossegada, não vive no passado, não ignora os desafios do tempo presente e nem perde sua fidelidade à Revelação de Deus. É essa teologia que tem e que terá lugar no pastoreio e na sociedade, pois, à luz de Moltmann18, ela não permite nem permitirá que a esperança lhe seja tirada.
A teologia que tem lugar no pastoreio e na sociedade é e será sempre a teologia que fundamenta seu pensar na Bíblia, a Palavra de Deus. É a teologia que respeita, reconhece e considera a tarefa missional da igreja em todas as suas dimensões, desafios e tarefas. A teologia que tem lugar no pastoreio e na sociedade é a que é pensada e formulada a partir da Escritura e para a comunidade de fé, o ser humano, a vida e a sociedade como um todo. Essa compreensão de teologia é fundamentalmente cristã, pois, segundo Santa Ana,19 é “teoantropocêntrica”, já que o seu objeto é a Palavra de Deus e sua tarefa é reflexão sobre a fé viva.
A teologia que tem um lugar no pastoreio e na sociedade é aquela que é menos quietista e mais inquietante e dialogal, seja em palavras, ideias, reflexão e ação. É aquela que, no aqui e agora, é sistematizada, ensinada e compartilhada em favor dos seres humanos, da ética, do ecocentrismo e da necessidade de sustentabilidade ambiental. A teologia que tem lugar no pastoreio e na sociedade é a que busca uma transformação eclesial, político-cultural e social, pois parte da convicção de que Deus está agindo em prol da humanidade, da vida e da sociedade e, principalmente, de tudo aquilo que tem vida e exala vida.
A teologia que tem lugar no pastoreio e na sociedade é a teologia que reconhece que a “Realidade maior”, o Criador, continua empenhado não só na manutenção das obras criadas, mas na sua completa bem-aventurança e plenificação. Nessa perspectiva, a exclamação do Gênesis, capítulo um, “E viu Deus que tudo era muito bom”, que é um refrão e também uma máxima para a criação, continua ressoando e nos convidando para que cumpramos a nossa missão. A nossa missão, segundo Tavares20, tem a ver com o empenho pela radical transformação do mundo para que ele venha a ser bom, plenamente bom.
2. Igreja, crise e o pastoreio
Na igreja e no pastoreio, principalmente no tempo de crise, não se pode trabalhar só o que é abstrato e teórico. Desconectar essas duas práticas dos problemas cotidianos e das situações difíceis da vida é tanto “falta de competência ministerial”, quando ausência do compromisso com a vida e a pessoa humana na sua integralidade. Portanto, os termos igreja, crise e pastoreio não são conceitos abstratos nem elementos distantes da vida. São, na verdade, vivências e práticas que têm a ver com o mundo real, com o mundo vivido e com as diversas dimensões da vida social.
Devido a esta natureza, igreja, crise e pastoreio são três elementos da vida social e cultural e, dessa forma, também da teologia e da vida cristã. Por isso, esses conceitos mantêm uma relação estreita e direta com o cotidiano, espaço e lugar em que a vida real acontece e que a igreja e o pastoreio deveriam se realizar efetivamente. O cotidiano torna-se, assim, uma categoria de compreensão da vida real e também o espaço e o lugar de manifestação da igreja, da crise e do pastoreio. Por isso, são instâncias de crises e também de superação, principalmente quando, a partir da fé e do cumprimento da Palavra de Deus, implementa-se o exercício cuidadoso e solidário com o ser humano.
Igreja, crise e pastoreio, por incluir a vida, o corpo, a mente e o coração das pessoas, são conceitos complexos, pois envolvem experiências diversas e que estão situadas no tempo, no espaço e na história. Igreja, crise, pastoreio e vida humana são elementos indissociáveis, que se misturam e se complementam, o que acontece nas ruas, becos e cidades do Brasil e em qualquer outro lugar. Nesse contexto, mesmo nas grandes cidades, sendo possível, é necessário resgatar a função e o papel normativo da religião, mas também da igreja e do pastoreio.
Atualmente, nas pequenas e grandes cidades, a igreja e o pastoreio modificam sua função, igualmente ao que acontece e aconteceu com a religião, que, segundo Libanio21, responde preferencialmente às necessidades, desejos, interesses e aspirações dos indivíduos.
Em se tratando, no entanto, do contexto de brasilidade, é praticamente impossível pensar a cidade, a sociedade e o ser humano separadamente da religião e da igreja, em suas múltiplas formas, tipos, “movimentos” e desenhos. Mas, o Brasil vive hoje um duplo fenômeno que interpela os diferentes grupos e segmentos religiosos, que são o secularismo, de um lado, e o indiferentismo crescente, de outro. Nessa conjuntura, vale o alerta de Cavalcanti:
Se quisermos ser honestos para com Deus e para conosco mesmos, teremos de reconhecer a distância entre o ideal e o real em nossos dias e a ausência de consciências e de desejo de mudanças. Sabemos que, sem compromisso com o reino, a Igreja não é Igreja, que o reino caminha pela afirmação de valores e que não há reino sem cruz. (...) O mercado religioso explode, com seitas, cultos e igrejas para todos os gostos. (...) O legado da Reforma parece ter-se perdido. A Bíblia e a tradição viva dão lugar ao experimentalismo individualista e aos espetáculos coletivos, com seus profissionais.22
A igreja e o pastoreio têm diante de si o desafio da fé, que é de ordem bíblico-hermenêutica, o que envolve tanto a fidelidade ao conteúdo revelado e à natureza do texto escriturístico, quanto à sua interpretação, comunicação e prática. A igreja e o pastoreio têm também o desafio de contextualização e de “atualização”, numa ambiência de muita crença e ativismo religioso, excesso de crise e pouca libertação e quase nenhuma esperança. Nesse sentido, a igreja deve ser bíblica, cristológica, “evangélica”23 e cristã. Só assim é que se vencerá com ousadia e fé, as múltiplas crises existenciais que assolam a sociedade e cada um de nós.
A igreja e o pastoreio, no que concerne às crises, por mais difíceis, complexas e complicadas que sejam, precisam ser pensados e vividos como um “projeto divino”, cuja originalidade começa em Deus, o Pai-nosso, e se concretizou no Emanuel, o Deus Filho encarnado. Nessa perspectiva, ambos, igreja e pastoreio constituem e se concretizam em ações e práticas de amor e cuidado para manter homens e mulheres conectados ao alvo mais importante da existência humana, que é crescer em direção à “estatura de varão perfeito”, cujo modelo é o próprio Cristo.
3. O pastoreio e sua interface com a contemporaneidade
O pastoreio na contemporaneidade, como qualquer outra prática e vivência cristãs, enfrenta um processo de tensão constante. Nesse sentido, as pessoas que são vocacionadas e que militam nesta importantíssima “tarefa” e missão, que é o ministério pastoral, vivem num tempo, cultura e contexto complexos e difíceis de serem compreendidos. Alguns líderes de igrejas se veem perdidos, mergulhados em crises e, quase sempre, não sabem o que fazer, já que o modo de ser e de viver das pessoas foram afetados profundamente pelas mídias, mercado, consumo, individualismo, hedonismo.
Esses elementos afetam o pastoreio, alterando sua natureza, modificando seu conteúdo e provocando uma crise sem precedente. A crise vivida e experimentada com intensidade pelos líderes-pastores é a crise da devoção. Essa crise está se tornando significativa e robusta, pois atinge grande parte das pessoas envolvidas com o ministério pastoral. Em meio à crise, quem está no pastoreio fala, proclama e prega a respeito de Deus, afirma sua existência e poder, mas não se deixa afetar por Ele ou mesmo interagir, com verdade e sinceridade, com as Escrituras Sagradas.
A crise da devoção pastoral está associada às rupturas, convulsões e colapsos trazidos pela pós-modernidade e que reverberam em diferentes tipos de distorções, incoerências, aberrações e contrassensos prático-teológicos. A ideia de crise na devoção pastoral pode ser pensada e sintetizada na expressão “crisis in devotio postmoderna”24, que é, na verdade, uma crise na devoção pós-moderna.
A crise na devoção pós-moderna – que nela se inclui o ministério pastoral – manifesta-se na prática religiosa de líderes, na identidade ministerial e na pertença e compromisso com a comunidade de fé. No ministério pastoral o que era permanente, duradouro e fixo parece diluir-se, tornando-se culturalmente híbrido, conforme Hall25, e perdendo sua raiz, tradição e identidade.
Essa crise na devoção pastoral é tão grave e intensa que se apresenta metamorfoseada e multifacetada, alterando significativamente as práticas, as crenças e as doutrinas bíblicas e “tradicionais”. Alteraram também o sentido, o significado e o jeito de ser do ministério pastoral, havendo mais espaço para o efêmero, o híbrido do que para o “tradicional”, pois, como afirma Pereira26, o tradicional na contemporaneidade é visto como um poder petrificante de ações e pensamentos.
Na perspectiva pós-moderna, o que está acontecendo com as coisas da vida acontece com as religiões. Assim, o pensamento corrente é que o ministério pastoral deve ser identificado com as religiões, isto é, ter vínculo e afinidade com diferentes crenças e diversas práticas religiosas de diferentes grupos religiosos. Isso significa que o ministério pastoral, no contexto contemporâneo, para ser bem-sucedido, incorpora diversas práticas, ações, ideias e crenças até então consideradas sincréticas, excêntricas, estranhas à fé cristã e que não têm consonância com a Bíblia.
Com isso, o ministério pastoral passou a enfrentar uma de suas piores crises, a qual vem se caracterizando pelo distanciamento da Bíblia, a Palavra de Deus27, e pela falta de compaixão pelo ser humano, o nosso próximo, aquele que Jesus destacou em Mateus 22.34-40, e por práticas que nada têm a ver com o cristianismo puro e simples. Além disso, com a crise na devoção pós-moderna – que é também crise na devoção do pastor – o ministério pastoral passou a ser organizado pelo viés performático, secularizado e neopragmático.28
No ministério pastoral, no pastoreio e em qualquer atividade eclesial nos dias de hoje, o viés performático, secularizado e neopragmático está presente e é fortalecido. As condutas, atitudes e práticas religiosas de pastores e líderes religiosos são interesseiras, personalísticas, mercadológicas e mercantilistas. Neste contexto e em sintonia com esse viés, o ministério pastoral vem se respaldando em práticas não cristãs, o que se dá pela hibridização, incorporação e mobilização de elementos oriundos de outras religiões e de outros grupos e movimentos religiosos.
Constata-se, com isso, que o ministério pastoral vinculado às denominações históricas vem se organizando e se desenvolvendo com práticas oriundas não só dos neopentecostalismos, mas também das religiões espiritualistas (umbanda, candomblé e espiritismo). No contexto do ministério pastoral, está se tornando comum a utilização de ritos, crenças e práticas misticistas, supersticiosas e “mágicas”. A presença e a utilização desses elementos nos cultos e no cotidiano da igreja, de um lado, trazem a “sensação” de que o ministério pastoral é relevante e que atende às necessidades espirituais das pessoas. De outro lado, sinalizam que o pastoreio deve ser performático e neopragmático, sendo usados, como afirmar Klein,29 para atrair, fascinar e mesmo assombrar nossos olhares.
É por isso que ser pastor e desenvolver um ministério pastoral é um tremendo desafio. Mas, a melhor resposta para qualquer tipo de crise são a revitalização da prática pastoral, o compromisso com a Bíblia e o resgate da dimensão profética no ministério e da pregação da Palavra de Deus, o que vem desde os tempos apostólicos. É preciso resgatar também os ideários do protestantismo, pois, na Reforma Protestante, segundo Barrett,30 o púlpito teve posição prioritária e a Palavra do Deus vivo era pregada e proclamada na língua do povo para a salvação e edificação dos santos.
Com isso, pode-se perguntar: na contemporaneidade, quais as razões da crise na devoção pastoral? Por que será que que o ministério pastoral entrou em crise e está perdendo sua importância? As razões e os motivos para a crise do/no ministério pastoral podem ser muitas. O individualismo, o personalismo e o egoísmo são marcas da vida humana, o estão presentes na vida de muitos pastores. Há muitas pessoas vocacionadas que estão confundindo singularidade e pessoalidade com individualismo, personalismo e egoísmo.
A crise do/no ministério pastoral pode ser explicada por uma sutil inversão, que é a retirada da igreja, o corpo de Cristo, do centro e a colocação do próprio ministério no seu lugar e em primeiro lugar. À luz do Novo Testamento, o prestígio e o reconhecimento dados a um pastor não podem ser maiores e nem mais importantes do que a igreja e nem tomar o seu lugar. O que a Bíblia exige de um pastor é uma boa reputação (do grego martyrumenus), ou seja, o pastor é uma pessoa e um líder de quem os outros falam bem. Em outras palavras, o ministério pastoral exige pessoas notavelmente confiáveis, da confiança do povo.
Outra razão para a crise no ministério pastoral pode se encontrar no apelo pelo fazer e realizar, que numa perspectiva psico-teológica se explica pela “compulsão pelo desempenho e pelo sucesso”. No ministério pastoral, esse tipo de compulsão se traduz, muito mais, por um ativismo religioso exagerado do que por realizações efetivas na vida do povo e na comunidade de fé. Pode se traduzir ainda em resultados objetivos e tangíveis nos moldes das empresas e do mercado, fruto do neopragmatismo, da excelência empresarial e mercadológica e da alta performance na gestão do sagrado.
Outra razão para a crise no ministério pastoral – e isso não é um posicionamento conservadorista – é o “abandono” e o “distanciamento” das Sagradas Escrituras na vida prática, no ensino e na pregação do pastor. O pastor de igreja e de ovelhas, tal como afirma Azevedo,31 “...não pode estar contra a palavra de Deus, que deve ser lida, interpretada e aplicada. A autoridade final sobre a comunidade é a autoridade da Palavra de Deus; fora disso, restam o personalismo e o autoritarismo”.
Em alguns contextos denominacionais e em igrejas, há um engajamento efetivo com a Bíblia e com as pessoas (os crentes), um compromisso inegociável com a fé e uma seriedade com o Reino de Deus por parte do pastor. Em outros, há distância da Palavra de Deus, tanto quanto má utilização dela, o que é proporcional à mercantilização da fé, exploração financeira e religiosa dos fiéis.
Em muitos casos, há pastores de igrejas que estão utilizando referenciais e teorias oriundas do secularismo, cuja base e pressupostos são contrários às Escrituras. Mas, a grande verdade é que atualmente as pessoas, tanto crentes e não crentes, estão à procura de líderes e de pastores que possam ajudá-las a viver melhor e a encontrar os propósitos duráveis para suas vidas. Daí a importância de que os pastores assumam a postura de verdadeiros servos de Deus, pois as pessoas do nosso tempo à luz das Escrituras, não procuram somente líderes, procuram servos e líderes espirituais moldados pelo Deus todo poderoso.
Nesse sentido, vale ressaltar que liderar igreja ou uma organização religiosa não faz de uma pessoa um servo e muito menos uma líder espiritual. Na contemporaneidade, as pessoas não querem seguir um líder por quem não sentem nenhum respeito, admiração e confiança. Afinal, seguir o líder é também caminhar junto. Essa foi a ênfase dada por Jesus aos seus discípulos. O pastoreio na contemporaneidade requer uma formação bíblico-teológica. Mas a sua maior exigência é o aprendizado de servo aliado à teologia e à Bíblia.
O mestre dos mestres, Jesus Cristo, depois de estar com os doze discípulos durante o período de formação ministerial, de dar o exemplo de servo e de “forjá-los” ao serviço, Jesus os envia ao mundo. A diferença entre um líder secular e de um pastor-servo é grande e perceptível. Enquanto o líder secular dedica seu tempo, o líder-servo dedica seus dons, compartilha o coração e doa sua vida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A teologia precisa de criatividade, ousadia, sensibilidade e engajamento, principalmente quando homens e mulheres passam a viver a maior parte de suas vidas enfrentando e convivendo com a “desfavorável” crise existencial. Nesse aspecto, a teologia precisa reconhecer que a crise existencial com suas inúmeras pressões, indigências, falta de alimentação, insegurança e medo, vão além do plano material e alcançam o plano moral.32 Além deste importante reconhecimento, a teologia precisa pensar, refletir e orientar uma criativa, ousada e persistente caminhada de serviço cristão: um pastoreio menos estrutural e mais interpessoal.
Isso significa que a teologia e o pastoreio devem se importar com tudo aquilo que é acentuadamente humano e intramundano, colocando-os como seu maior desafio de reflexão, engajamento e transformação. Só assim a teologia e o pastorado, por um lado, serão fiéis à Bíblia e, por outro, bênção pacificadora e transformadora da sociedade. Para tanto, é preciso, em primeiro lugar, vencer o silêncio, a indiferença e as insensibilidades de variadas teologias e de muitos pastoreios e igrejas.
A teologia e o pastoreio que são fiéis a Deus e obedientes à Palavra se engajam no cuidado dos seres humanos e das demais coisas criadas. Nesse sentido, a teologia, para encontrar o seu mais relevante lugar no pastoreio e na sociedade, deve ter seu fundamento nas Escrituras e estar a serviço do Reino de Deus, celebrando a vida e cuidando de homens e mulheres. A pauta de reflexão, entendimento e proposta de engajamento da teologia, especialmente para os seres humanos que vivem nos países da América do Sul, não é apenas a passagem pela crise existencial, mas a instauração do Reino de Deus e a vitória de toda a humanidade em Cristo Jesus.
Faz-se necessário, portanto, que a teologia e o pastoreio se alimentem permanentemente das Escrituras, dialoguem com a sociedade e se sensibilizem com aquilo que acontece na vida humana, a partir do paradigma transformador que é Jesus Cristo. É o Emanuel, o Cristo de Deus, o Deus presente, o Deus encarnado, que dá à cristologia uma centralidade na teologia, no pastoreio, na igreja e na ação e atitude de todo servo de Deus. Enfatiza-se, então, que toda teologia e todo pastoreio só se tornam relevantes, afinados com o Reino de Deus e voltados à humanidade, se sua centralidade foi cristológica, isto é, com vista à redenção.
Na verdade, uma teologia que queira se ressignificar ou mesmo ocupar um lugar de excelência no pastoreio e na sociedade deverá ser: a) bíblica em seu critério de avaliação e engajamento em prol do ser humano; b) cristológica em tudo, já que é o Cristo de Deus é a vida e o modelo de enfrentamento corajoso e tenaz de toda crise e adversidade; c) e finalmente, amorosa, integral e humanizadora, cuja força é capaz de nos impulsionar para fora de nós mesmos, em direção ao próximo que é necessitado de serviço cristão voluntário, de empatia, cuidado pastoral em todas as suas dimensões possíveis.
REFERÊNCIAS
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1 O autor é Doutor em Ciências da Religião, Mestre em Educação. Possui especialização em Filosofia para o pensar e Metodologia do ensino superior e as Graduações em Teologia, Pedagogia e Filosofia. É Coordenador Pedagógico e professor de Teologia na Faculdade Batista de Minas Gerais. E-mail: reinaldoarrudapereira@yahoo.com.br / prof.reinaldoarruda@redebatista.edu.br
2 A palavra teologia é utilizada no seu sentido “sacro ”, religioso, mas completamente dissociada da ideia de sacralização ou mesmo de absoluta prepotência humana em querer conhecer plena e totalmente a Deus.
3 A “palavra-conceito” é aqui utilizada para sintetizar a definição e a noção clássica de Teologia, cuja ênfase é “construir, elaborar, dar ou trazer uma palavra sobre Deus”. A “palavra-conceito” está associada ao “conceito-palavra” e ambas as expressões têm a ver com aquilo que é essencial na teologia, isto é, o ser divino em relacionamento com a obra criada, especialmente, os seres humanos.
4 GIBELLINE, Rosino. Breve história da teologia do século XX. Aparecida: Santuário, 2010, p. 12.
5 BEEKE, Joel R. Espiritualidade reformada: uma teologia prática para a devoção de Deus. São José dos Campos: Fiel, 2014, p. 23.
6 MOLTMANN, Jürgen. Experiências de reflexão teológica: caminhos e formas da teologia cristã. São Leopoldo: UNISINOS, 2004, p. 17.
7 ANJOS, Márcio Fabri dos. Interface da teologia. In: ANJOS, Márcio Fabri dos (Org.). Teologia aberta ao futuro. São Paulo: Loyola, 1992, p. 13.
8 SCHARMER, Otto. Liderar a partir do futuro que emerge. A evolução do sistema econômico egocêntrico para o ecocêntrico. Rio de Janeiro: Campus, 2014. Este conceito é utilizado por Scharmer como um substantivo masculino e numa perspectiva de transição e evolução econômica. Considerando a importância do significado deste conceito, o mesmo é incorporado aqui no texto, porém, colocado como um substantivo feminino.
9 COX, Harvey. A cidade secular: a secularização e a urbanização na perspectiva teológica. Santo André: Academia Cristã, 2015, p. 134.
10 CHAUÍ, Marilena. Fundamentalismo religioso: a questão do poder teológico-político. In: BORON, Atílio A. (Org.). Filosofia Política Contemporânea: controvérsias sobre Civilização, Império e Cidadania. Buenos Aires: Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales – CLACSO; São Paulo: Universidade de São Paulo, 2006, p. 128).
11 ANJOS, 1992, p. 17.
12 MOLTMANN, Jürgen. Teologia da esperança. Estudos sobre os fundamentos e as consequências de uma escatologia cristã. São Paulo: Teológica; Loyola, 2005, p. 30.
13 MAGALHÃES, Antônio. Uma Igreja com teologia. São Paulo: Fonte Editorial, 2006, p. 12.
14 VANHOOZER, Kevin J. Teologia primeira: Deus, Escritura e hermenêutica. São Paulo: Shedd, 2016, p. 16.
15 SMITH, Ralph L. Teologia do Antigo Testamento: história, método e mensagem. São Paulo: Vida Nova, 2001, p. 154.
16 COX, 2015, p. 136.
17 LIBANIO, João Batista. As lógicas da cidade: o impacto sobre a fé e sob o impacto da fé. São Paulo: Loyola, 2002, p. 54.
18 MOLTMANN, 2005, p. 21.
19 SANTA ANA, Júlio de. Teologia e modernidade. In: Estudos de Religião. A maioridade da teologia da libertação. Universidade Metodista de São Paulo. São Bernardo do Campo, n. 6; 1989, p. 67.
20 TAVARES, Sinivaldo S. Teologia da criação: outro olhar - novas relações. Petrópolis: Vozes, 2010, p. 13.
21 LIBANIO, 2002, p. 54-55.
22 CAVALCANTI, Robinson. A igreja, o país e o mundo: desafios a uma fé engajada. Viçosa: Ultimato, 2000, p. 18-19.
23 A expressão evangélica é utilizada no sentido de afinidade e fidelidade ao Evangelho, conforme apresentado no N. T. O termo, portanto, não se refere ao conjunto de igrejas das várias denominações religiosas que /defendem a fé cristã.
24 O conceito de “devotio postmoderna” tem sido utilizado por Han Adriaanse, João Manoel C. R. Duque e Thomas Kempille para definir o modo de espiritualidade dos nossos dias. Em nossa concepção, o termo é também apropriado para sinalizar uma espiritualidade nova e que nos permite associá-la à ideia de crise na devoção pastoral, uma vez que o alicerce dessa nova forma de espiritualidade é a integração entre diferente elementos e coisas, o que os coloca em pé de igualdade com as Escrituras.
25 HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2003, p. 50.
26 PEREIRA, Helder Rodrigues. A crise da identidade na cultura pós-moderna. In: Mental. Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC). Revista Eletrônica, v.2 n.2. Barbacena jun. 2004, p. 96.
27 A expressão é utilizada para reafirmar a Bíblia como sendo a revelação e a Palavra de Deus e, portanto, a verdade inegociável das Escrituras.
28 O termo neopragmático é correlato à expressão neopragmatista, que é um conceito utilizado pelo filósofo norte-americano Richard Rorty. O neopragmatismo é uma corrente filosófica que propõe a revisão de conceitos essenciais, tais como verdade, conhecimento e modificação das crenças e práticas.
29 KLEIN, Alberto Carlos Augusto. Mídia, corpo e espetáculo: novas dimensões da experiência religiosa. In: PASSOS, João Décio (Org.). Movimentos do espírito: matrizes, afinidades e territórios pentecostais. São Paulo: Paulinas, 2005, p. 151.
30 BARRETT, Matthew. O cerne da verdadeira reforma. In: BARRETT, Matthew. Teologia da reforma. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2017, p. 152.
31 AZEVEDO, Israel Belo de. Gente cansada de igreja. São Paulo: Hagnos, 2010, p. 54.
32 AZEVEDO, 2010, p. 12 e 13.